terça-feira, 30 de outubro de 2012

Música Halloween


Cartaz Holloweeen




Sabes o que se passa na noite de 31 de outubro para o dia 1 de novembro???

 Dia de Todos os Santos

Se reparares no calendário da Igreja, cada dia tem o seu santo. No entanto, há mais santos do que os 365 dias do ano...

Por isso a Igreja Católica escolheu o dia 1 de novembro para os honrar a todos. Daí ser "Dia de Todos os Santos". Ainda por cima é feriado, o que acontecerá só mais este ano...

No início do século VII, o Papa Bonifácio IV designou o dia 1 de novembro como "O Dia de Todos os Santos". No século X, a Igreja dedicou o dia 2 de novembro às almas, em memória de todos os falecidos.

Sabes de onde vem a palavra Halloween? É que Dia de Todos os Santos diz-se em inglês All Hallows Day. E, como vais descobrir, a noite anterior a este dia é muito importante, por isso Halloween é uma abreviatura de All Hallows Even - "Noite de Todos os Santos"!

Halloween, Dia de Todos os Santos e Dia de Finados (dos Mortos) passaram a fundir-se numa mesma tradição. Tudo isto se relaciona: os santos, a vida, a morte, a festa..
 

Acreditava-se que na Noite das Bruxas os fantasmas voltavam à Terra em busca de alimento e companhia para levarem para o outro mundo.

Assim, as pessoas pensavam que encontravam almas penadas se saíssem de casa nessa noite.
 
Por isso, para não serem reconhecidas pelos fantasmas, usavam máscaras quando saíam de casa, para serem confundidas com espíritos que andavam à solta a tentar apanhar almas vivas. E para manter os espíritos longe de casa, as pessoas colocavam tigelas de comida à porta para os satisfazer e os impedir de entrar.

Também para se proteger, carregam lanternas, porque a luz e os fantasmas não se dão muito bem... Uns são da noite e das trevas (escuridão e morte) e a luz significa a vida.

 

"Pão por Deus"

Celebrar o Dia de Todos os Santos

Em Portugal, no dia de Todos os Santos, de manhã bem cedinho, as crianças saem à rua em pequenos grupos para pedir o "Pão por Deus".
Passeiam assim por toda a povoação e ao fim da manhã voltam com os seus sacos de pano cheios de romãs, maçãs, doces, bolachas, rebuçados, chocolates, castanhas, nozes e, às vezes, até dinheiro!

Há povoações em que se chama a este dia, o "Dia dos Bolinhos".



Antigamente todas as pessoas iam pedir o "Pão por Deus" porque havia muita pobreza e havia mesmo necessidade de pedir.

Normalmente as pessoas punham as mesas com o que tinham em casa (comida e bebida) e, quando chegavam os pobres, entravam e comiam à vontade e à saída ainda lhes davam mais alguma coisa.

Hoje já só pedem as crianças para não se perder a tradição. E mesmo assim, só nas terras mais pequenas.

Sabias que aí é costume neste dia as pessoas confeccionarem broas para comerem e darem?

 

Halloween - "trick or treat!"

A tradição de dar doces, guloseimas e frutas veio dos duendes (e da Irlanda), que eram considerados maus pelos antigos celtas.

Nessa noite eles gostavam de pregar partidas ("tricks") aos humanos.

Para lhes agradar e evitar as suas maldades, as pessoas deixavam doces e frutas ("treats") à porta das suas casas.

Daí surgiu a famosa frase "trick ou treat" que dizem as crianças norte-americanas (e canadianas) quando celebram o Halloween, o Dia das Bruxas, e pode ser traduzida como "presentes ou partidas".

Já reparaste que esta história do «Pão por Deus» das crianças portuguesas pedirem à porta das casas é parecida com a das crianças norte-americanas?

Como se diz que nessa noite os fantasmas andam à solta, todas as partidas são válidas, mas é preciso estar mascarado como eles (os espíritos) para não sermos levados pelas almas do outro mundo.

Também para se protegerem deles, os miúdos carregam lanternas feitas com uma abóbora escavada.

Essas lanternas também se põem à porta de casa, para espantar os espíritos.

Desde há algum tempo, Portugal tem-se deixado influenciar por muitos aspectos que não fazem parte da nossa cultura e tem celebrado o Halloween nas escolas, clubes e até em centros comerciais, mas também deviam olhar para as tradições que são mais nossas.

(Informação recolhida em junior.te.pt)


segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Encontro com a escritora – Cristina Maya Caetano

O Agrupamento de Escolas de Santa Cruz da Trapa, no âmbito da comemoração do Mês Internacional da Biblioteca Escolar, recebeu a escritora e ilustradora Cristina Maya Caetano que apresentou, de uma forma dinâmica e criativa, o seu livro infantil “Fadinha Lótus, a procura”.
Assim, os alunos do Jardim de Infância e 1ºciclo do Polo de Carvalhais, do Jardim de Infância de Santa Cruz da Trapa, do 1º ciclo da Escola Sede e alguns alunos do 2º ciclo foram envolvidos, de uma forma entusiástica, no enredo da história, que lhes foi contada, de uma forma mágica, pela autora.
Uma experiência que, sem dúvida, foi inesquecível para todos!
Aqui fica o registo deste dia.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Encontro com a escritora e ilustradora
Cristina Maya Caetano
 
Apresentação do livro: Fadinha Lótus - A Procura
 
Para os alunos do Pré-Escolar, 1º e 2º Ciclos
 


BIOBIBLIOGRAFIA DE CRISTINA MAYA CAETANO

Cristina Maya Caetano nasceu em Angola, viveu em Moçambique e presentemente mora em Aveiro - Portugal. É licenciada em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade de Aveiro; Pós-graduada em Estudos Europeus e Comunitários pelo Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA) em Aveiro e, Mestre em Estudos Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Tem Curso de Monitora de Artes Decorativas em Madeira e Curso de Monitora de Artes Decorativas.
Frequentou Curso de Verão “Oficina de artes - pintura a óleo” e, um semestre num Curso de Pintura e Desenho, pela Universidade de Aveiro - Associação do Conservatório Regional de Aveiro - Calouste Gulbenkian. Tem formação em Contadores de Histórias (Clai- Aveiro).
Tem vasta experiência profissional, que passa desde Professora, Agente de Desenvolvimento, Diretora de Serviços, Técnica Superior de Planeamento Regional e Urbano.
Pintora e escritora (na área das crónicas; poesia; contos infantis e romances), foi cronista no Jornal de Abrantes, Jornal Diário de Aveiro e na Rádio FM Aveiro e atualmente é cronista no Jornal Pinhel Falcão e Jornal Raiz On-line com a crónica Ver e Sentir. Editou o seu primeiro livro em 2004, Conhecer o teatro em Moçambique e, ilustra os seus próprios livros como é o caso da coleção de sete volumes da Fadinha Lótus, cujo primeiro número, “A Procura”, foi editado em Dezembro de 2008. Em 2009, participa na Antologia do Amor da U.L.L.A e na Antologia De Poesia Contemporânea Entre O Sono E O Sonho.
Em 2001, iniciou a sua participação em várias exposições coletivas de artes decorativas e de artes-plásticas. Tem vários quadros em diversas Instituições.
Em 2008, participa com mais 17 artistas da Aveiro Arte na realização de um Painel dos Direitos Humanos exposto na entrada da Estação de Caminho-de-ferro de Aveiro, no âmbito das comemorações do 60.º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

 
ENCANTADO JARDIM
 
 
Num qualquer imaculado jardim...
Entre árvores habitando,
Flores, de casa servindo,
Em riachos e lagos residindo,
Fantásticos seres, que em comunidade vivem e bem o apreciam,
Em todo o lado existem.
Em sintonia com a natureza mãe,
Uns, o vento amigo, sementes de campainhas e miosótis espalhar ajuda,
Outros, deliciosos perfumes de pétalas confecionam,
Já os mais artísticos, diferentes tonalidades de amarelo e vermelho as folhas pintam.
Todos, de um mágico cenário acompanhados,
Um adorável tapete de flores, que a vida celebra,
Pequeninos seres, de cintilantes vestidos,
Dançam e comemoram.
Abrigo, alimento,
Roupa e mágicas poções,
Tais flores proporcionam.
E nunca, nada ao acaso fica!
Pétalas azuis e cor-de-rosa de pequeníssimos miosótis,
Mensagens a todos os amigos do bosque levam,
Sempre com o amigo vento a acompanhar,
E o sol amigo a brilhar,
Festejar vida é!
Seja ao som do suave tilintar dos arbustos madressilvas,
Que de flores brancas, em amarelas se transmutam,
Sem nada em troca pedir, todo o bosque perfumam.
Seja com as pendentes campânulas brancas, que boas noticias trazem,
Ou com uma generosa cobertura de campainhas que sempre bem fica....
Vida, sempre, continua a ser!
Fadas, duendes, ninfas, gnomos,
Alegremente convivem,
A partilha reforçando,
E amizade cimentando.
Que bem os humanos ensinam,
Pois ventura é saber viver,
Tal como num idílico jardim,
Num ápice,
Numa cidade, humanizada transformada
AUTOR: Cristina Maya Caetano
 
FLORAIS OUTONAIS
 
Ténue, a luminosidade fica,
Diminui o dia,
Aumenta a noite.
Mas as estrelas, o sol, a lua,
Permanecem lá,
A brilhar, a brilhar,
E as flores, a nascer continuam!
 
Amarelado, vermelhado, alaranjado,
Tons comuns se tornam,
As cores, outras, todas,
Num cuidadoso florir unem-se,
Majestosos outonais florais,
Essas incógnitas flores,
Para uns e outros desconhecidas,
Na alma bordadas,
A cor de todas as flores tem!
Estado de espírito,
Outono parece,
Das cinzas, renasce,
Floresce!
Pintado a vários tons,
Garridos, mesclados, discretos,
O outro lado da alma,
Numa dimensão e visão outras,
Florejar sorrisos,
Novo ciclo denunciam,
Qualquer ser encantam,
E nova vida inicia!
Natural,
Como um bom filho,
Da Natureza Mãe!
 
AUTOR:Cristina Maya Caetano

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

 

Visitas guiadas à BE e formação do utilizador;
 
Encontro com a contadora e ilustradora de histórias, Cristina Maya Caetano, para os alunos do Pré-Escolar 1º e 2º Ciclos;
 
Produção de pequenos textos e frases acerca de um livro que tenham requisitado na nossa biblioteca;
 
Pequenos trabalhos de pesquisa sobre o significado e origem da palavra “biblioteca”;
 
Pesquisa sobre a evolução das Bibliotecas Escolares;
 
Bibliopaper, todos os dias a partir das 10 horas;
 
Apresentações multimédia sobre as bibliotecas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Reportagem fotográfica
Dia da Alimentação


domingo, 14 de outubro de 2012

Algumas opções para o Dia da Alimentação


 







segunda-feira, 8 de outubro de 2012


Dia da Implantação da República

 

Para assinalar o Dia da Implantação da República, que se comemorou no dia 5 de outubro, a Biblioteca Escolar desenvolveu várias atividades que tiveram como objetivo mostrar a importância  deste dia para a nação.

Os alunos aderiram, com entusiasmo, às atividades propostas pela Biblioteca, nomeadamente o concurso “5 de Outubro – Implantação da República”, que teve como principal objetivo identificar os conhecimentos dos discentes sobre esta comemoração. Nesta atividade, participaram todos os alunos do 4º ano do Polo de Carvalhais, alguns alunos das turmas A do 5ºano, A e B do 6ºano, B do 7ºano, A e B do 8ºano e A e B do 9ºano.

Os vencedores do concurso foram os alunos: Ana Carolina Pereira Santos Moreira Pinto, João Tomás Martins Ferreira, do 4º ano, Ana Filipa Rodrigues, Daniela Loureiro, David Figueiredo e David Oliveira do 6ºA, Cristiana Pinto e Sara Santos do 6ºB, Joana Vieira do 7ºB, Beatriz Costa, Edgar Almeida e Gonçalo Almeida do 8ºA, Jesué Sêco do 8ºB, Andreia Rocha, Diogo Matos, João Oliveira, Marco Lima e Sandra Tavares do 9ºB.

Para além destas atividades, foram ainda pintados desenhos alusivos a este tema, com grande adesão dos “mais pequeninos”.

No mesmo dia, comemorou-se também o Dia do Professor, com uma exposição dedicada a estes profissionais da edução, tantas vezes maltratados e esquecidos pela sociedade.

Os alunos participaram nesta “homenagem” simbólica, com mensagens para os professores.

A equipa da Biblioteca agradece a participação de todos os alunos.
 






 
 




 
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012


5 de outubro - "Dia do Professor"
 

“Professor é uma pessoa que ensina uma ciência, arte, técnica ou outro conhecimento. Para o exercício dessa profissão, requer-se qualificações académicas e pedagógicas, para que consiga transmitir/ensinar a matéria de estudo da melhor forma possível ao aluno”.
 
“ É uma das profissões mais antigas e mais importantes, tendo em vista que as demais, na sua maioria, dependem dela. Já Platão, na sua obra A República, alertava para a importância do papel do professor na formação do cidadão.”
In wikipédia
 
 
 
"Educar é semear com sabedoria e colher com paciência. "
Augusto Cury

 "A maior glória de um professor é sentir que os seus alunos tornaram-se grandes homens."

Erasmo Shallkytton  
 
"Àqueles que nos ensinaram muito mais que teorias, que nos preparam também para vida, todo o nosso carinho e gratidão."
Desconhecido
 
"Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar."

Esopo

 

Feliz Dia do Professor!
 

Biblioteca – Apoio ao Desenvolvimento Curricular - Departamento de Humanidades

Lista bibliográfica – 102º aniversário da implantação da República Portuguesa

Livro

MAGALHÃES, Ana Maria – Viva a República! Sérgio Soldá Porto: Desabrochar, 1992 col. Meu Portugal Minha História, nº 6 ISBN 972-649-290-4MARQUES, A. H. Oliveira –

História de Portugal
Lisboa: Palas Editores,1973 pp 183-288SARAIVA, José Hermano –
Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 pp109-113SARAIVA, José Hermano –
Lisboa: Alfa 1993 pp 469-595 ISBN 972-626-141-4CARNEIRO, Roberto –

Enciclopédia Ativa e Multimédia: História e Geografia de Portugal
Lisboa: Lexicultura vol. 7 pp 218-229 ISBN 972-8377-05-3MARQUES, A.H. Oliveira et al. –


Livros para leitura orientada em contexto de sala de aula

LETRIA, José Jorge – O Dia em que mataram o Rei Il. Afonso Cruz. Lisboa: Texto Editora, 2007 ISBN 978-972-47-3405-7 (1 exemplar)

LETRIA, José Jorge – A Minha 1ª República Il. Afonso Cruz. Lisboa: DomQuixote, 2009 ISBN 978-972-20-3859-1 (1 exemplar)
 
 
Documento eletrónico
 
Através do blog da BE –http://biblioteca-aesct.blogspot.pt– podem aceder a vários sites de interesse, relacionados com o tema – Regicídio/República.
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012



O Regicídio visto por D. Manuel II
(I)
A 1 de Fevereiro de 1908, no regresso de mais uma estadia em Vila Viçosa, o rei D. Carlos e o princípe herdeiro D. Luís Filipe, são assassinados em pleno Terreiro do Paço. De um só golpe, Costa e Buiça, decapitavam a monarquia portuguesa, deixando o trono nas mãos de um pouco preparado D. Manuel, sem capacidade nem margem de manobra para gerir uma situação política explosiva que culminaria com a queda da monarquia e a implantação da República a 5 de Outubro de 1910.

A 21 de Maio de 1908, quase 4 meses após o regicídio, o já então rei D. Manuel II, descreveu a forma como viveu este trágico acontecimento, sob o título de "Notas absolutamente íntimas", de que apresentamos o excerto que se segue

 
 

«Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas intimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pae e o meu querido Irmão. Isto que aqui escrevo é ao correr da pena mas vou dizer franca e claramente e também sem estilo tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim mesmo um dia se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que faço a mim mesmo. Como isto é uma historia intima do meu reinado vou inicia-la pelo horroroso e cruel atentado.
No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Magestades El-Rei D. Carlos I a Rainha a senhora D. Amélia e Sua Alteza o Principe Real de Villa Viçosa onde ainda tinha ficado. Eu tinha vindo mais cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de preparação para a Escola Naval. Tinha ido passar dois a Villa Viçosa tinha regressado novamente a Lisboa.
Na capital estava tudo num estado excitação extraordinária: bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro em que houve uma tentativa de revolução a qual não venceu. Nessa tentativa estava implicada muita gente: foi depois dessa noite de 28, que o Ministro da Justiça Teixeira d'Abreu levou a Villa Viçosa o famoso decreto que foi publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter rubricado nesse dia de aniversário da revolta do Porto. Meu Pae não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pae quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na vespera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. "Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus!
Mas voltando ao tal decreto de 31 de Janeiro. Já estavam presas diferentes pessoas politicas importantes. António José d'Almeida, republicano e antigo deputado, João Chagas, republicano, João Pinto dos Santos, dissidente e antigo deputado, Visconde de Ribeira Brava e outros. Este António José d'Almeida é um dos mais sérios republicanos e é um convicto, segundo dizem. João Pinto dos Santos, é também um dos mais sérios do seu partido. O Visconde de Ribeira Brava, não presta para muito e tinha sido preso com as armas na mão no dia 28 de Janeiro. Mas o António José d'Almeida e João Pinto dos Santos não podiam ser julgados senão pela Câmara como deputados da última Câmara. Ora creio que a tensão do Governo era mandar alguns para Timor tirando assim por um decreto dictatorial um dos mais importantes direitos dos deputados. O Conselheiro José Maria de Alpoim par do Reino e chefe do partido dissidente tinha tido a sua casa cercada pela policia mas depois tinha fugido para Espanha. Um outro dissidente também tinha fugido para Espanha e lá andou disfarçado. Outro que tinha sido preso foi o Afonso Costa: este é do pior do que existe não só em Portugal mas em todo mundo; é medroso e covarde, mas inteligente e para chegar aos seus fins qualquer pouca vergonha lhe é indiferente. Mas isto tudo é apenas para entrar depois mais detalhadamente na história íntima do meu reinado.
Como disse mais atrás eu estava em Lisboa quando foi 28 de Janeiro; houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!
Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908 sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d'Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez "Tristão e Ysolda" de Wagner em S. Carlos. Na vespera tinha estado tocando a 4 mãos com o meu querido mestre Alexandre Rey Colaço o Septuor de Beethoven, que era, e é uma das obras que mais aprecio deste génio musical. Depois do almoço à hora habitual quer dizer às 13:15h comecei a minha lição com o Fontoura da Costa, porque ele tinha trocado as horas da lição com o Padre Fiadeiro. A hora do Fontoura era às 17:30h. acabei com o Fontoura às 15 horas e pouco depois recebi um telegrama da minha adorada Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa-Branca, mas não tinha acontecido nada, mas que vinham com três quartos de hora de atraso. Vendo que nada tinha acontecido dei graças a Deus, mas nem me passou pela mente, como se pode calcular o que havia de acontecer. Agora pergunto-me eu aquele descarrilamento foi um simples acaso? Ou foi premeditado para que houvesse um atraso e se chegasse mais tarde? Não sei. Hoje fiquei em dúvida. Depois do horror que se passou fica-se duvidando de muita coisa. Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num "landau" com o Visconde d'Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Magestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem.
Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Paes e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até a porta onde entramos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pae. O meu chorado Irmão deante do meu Pae e eu deante da minha mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguem n'este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi.creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é! vou agora contar o que se passou n'aquella historica Praça
Sahimos da estação bastante devagar. Minha mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa-Branca quando se ouvio o primeiro tiro no Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem duvida um signal: signal para começar aquella monstrosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o signal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz n'uma batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra n'esse caminho dá-se o signal e começa o fogo! Infames! Eu estava olhando para o lado da estatua de D. José e vi um homem de barba preta , com um grande "gabão". Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n'um horror d'estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava "que má brincadeira". O homem sahiu do passeio e veio se pôr atraz da carruagem e começou a fazer fogo.
Faço aqui um pequeno desenho para mesmo me ajudar.
1) Estátua de D. José
2) Sítio onde estava o Buissa o homem das barbas
3) Lugar onde elle começou a fazer fogo
4) Sítio aproximadamente onde devia estar a carruagem Real quando o homem começou a fazer fogo
5) Portão do Arsenal
6) Praça do Pelourinho
7) Sítio aproximadamente donde sahiu o tal Costa que matou o meu Pae.
Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou só Deus minha mãe e eu sabemos;(...).»

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mês Internacional da Biblioteca Escolar

 
Segundo os princípios estabelecidos pela International Association of School Librarianship - IASL, o "Mês Internacional da Biblioteca Escolar permitirá aos responsáveis pelas bibliotecas escolares, em todo o mundo, escolher um dia, em outubro, que melhor se adeque à sua situação de forma a celebrar a importância das bibliotecas escolares... ". O Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares decidiu declarar o dia 22 de outubro como o Dia da biblioteca escolar, permitindo, deste modo, às escolas a preparação atempada de atividades específicas a realizar nesse dia, independentemente das ações que possam levar a efeito noutros dias do mês.
 
Para celebrar esta data, a IASL propôs, como habitualmente, um tema aglutinador: Bibliotecas escolares: uma chave para o passado, presente e futuro.
 
Uma chave para o passado, porque sem memória e transmissão do conhecimento seria impossível receber a herança e património de saberes, que hoje nos identifica a todos; uma chave para o presente, porque só através do domínio da informação e gestão do conhecimento, que configuram a nossa era, podemos dar continuidade a esse legado, enriquecê-lo e projetá-lo no tempo; uma chave para o futuro, porque este dependerá sempre da ação, expectativas e capacidade de gerir as mudanças com que o desejamos tecer.
 
As bibliotecas são uma das criações humanas que melhor cumprem este desígnio, de perpetuar, gerar e promover o conhecimento, no sentido de uma sociedade mais culta e instruída. A importância particular das bibliotecas no campo educativo faz delas uma das chaves maiores deste desígnio.
 
A RBE associa-se, deste modo, a este evento internacional, convidando todas as bibliotecas a inserirem no portal RBE, durante o mês de outubro, uma atividade que considerem significativa e ilustrativa do modo como comemoraram a data. À medida que forem sendo publicadas, a RBE divulgará nos Destaques algumas destas atividades.

via RBE

segunda-feira, 1 de outubro de 2012